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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Noite


Era uma pessoa, sentada em cima de sua cama, completamente sem roupa, ouvia Rolling Stones, fumava uns cigarro, e bebia uma vodca barata e pensava em sua tarde, tarde de sexo, sexo mal feito, muito mau-feito por sinal, fumava e lembrava com nojo execrável  daquele sexo, bebia em dose generosas e seu nojo aumentava mais ainda, o sexo fora tão mal feito, pensava como alguém poderia fazer sexo, como quem acompanhava a pessoa que fuma, bebe e ouve Rolling Stones, nessa história, só de lembrar vem uma terrível ânsia de vômito, sim fora, fora muito ruim.
                Lembrava de como a transa foi algo mecânico, e parece que tudo era cronometrado, nem se o sexo fosse pago, seria feito de forma tão artificial, e tão externa, tão sem intimidade, nunca o pós-sexo dessa pessoa foi sim, causador de asco só no pensar, se essa pessoa não gostasse tanto de sexo, não o fazia nunca mais, tamanho foi o trauma dessa transa, sem prazer, sem motivo, sem sentido, sem sexo,sem nada.
                Lembrava-se de todos os detalhes, e isso atormentava, os cigarros e a vodca estavam acabando, o cd dos Rolling Stones estava acabando, e ouvir I can´t get no satisfaction (eu não consigo ter satisfação) por algum motivo desconhecido irritava muito, mas essa era a música mais tocada, já havia tocado varias vezes, e o desprezo, e o asco, assim como a luxúria da pessoa que houve Rolling Stones sem roupa só aumenta. Não a nada pior que sexo mal feito.
                Lembra de como foi penoso, chegar ao gozo, e que chegara ao gozo não por prazer, mas por um penoso esforço, uma série incessante de movimentos repetitivos, com maior velocidade e maior força, até por fim o gozo sai, mas como qualquer outro excreção natural do corpo, tanto faz se gozo, catarro, vômito, cuspe, merda, sangue ou mijo, o que diferencia o gozo das outros excreções naturais do corpo, nessa transa, é apenas a sua forma física, seu cheiro, textura e odor, mas o método com que sai, em nada difere de qualquer outra excreção, sim foi ruim, foi muito ruim, foi péssimo, uma boa masturbação teria sido bem mais produtiva.
                A pessoa que fumava sem roupa na cama só quer esquecer, o quanto foi ruim, e que pela primeira vez, vira falta de sentido no sexo, via um movimento de entra e sai sem sentido, analisa as cores da parede, e procura não olhar para aquele corpo ali, frigido a sua frente, em verdade parecia estar trasando com um cadáver, tamanho e egoísmo de outrem na transa, que ignorava que relação ali era entre duas pessoas, portanto esperava-se que ambas sentissem prazer, a pessoa que fuma, sem roupa na cama foi para sentir prazer, mas nem na hora do gozo sentiu, algo frustrante, sensação de inacabado.
                O próprio corpo nu, a própria cama, os próprios cigarros quase se esgotando, e a voz de Mick Jagger cantando, aquela frustração, aquela vontade, aquelas mãos começam a acariciar o próprio pescoço, delicadamente, e descem até os peitos, acariciam os peitos com volúpia, e continuam a descer as mãos pelo próprio corpo, chegam a barriga, e a própria língua começa a lamber os próprios braços, a individualidade começa a fazer com que a pessoa que bebe vodca na cama transcenda, as mãos continuam descendo, até tocar no sexo, que já estava ativo a muito tempo,as 


mãos começam a tocar aquele primeiro com delicadeza, depois com vontade, vontade que aquele sexo precisava, volúpia, e desespero, a música dos Rolling Stones, misturada com os suspiros, gemidos, e as vezes gritos do amor próprio, da re-descoberta do prazer individual, de uma forma como nunca fora sentido, a vontade de que o momento nunca a acabe, a exploração com as mãos de todo o espaço corporal, e a ênfase no sexo, o prazer solitário poder ser bem melhor, do que o prazer coletivo, e a alma começa a transcender cada vez mais, até deixar que o corpo seja completamente dominado pelo prazer, então sai o gozo, e todo aquele corpo se arrepia, sai o gozo como um grito do corpo, que diz que o momento foi bom, acabam-se os cigarros,acaba a vodca, Mick Jagger silencia, e o prazer começa, a pessoa de nossa história, deita ainda sem roupa, em sua cama, e pode agora dormir feliz.
                

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